Caso Vitória: Polícia volta atrás e toma decisão drástica após inconsistências no depoimento de Maicol

O caso está cada vez mais intricado já que a defesa de Maicol afirmar que não reconhece a legalidade da confissão do cliente.
As investigações sobre a morte da jovem Vitória Souza, de 17 anos, ocorrida no final de fevereiro em Cajamar, São Paulo, ganharam um novo desdobramento após a Polícia Civil solicitar a reconstituição do crime ao Instituto Médico Legal.
A medida visa esclarecer detalhes ainda pendentes e revisar pontos que permanecem obscuros, mesmo após a confissão do principal suspeito, Maicol Santos. Embora em um momento anterior os investigadores tenham declarado que o caso estava praticamente encerrado, a nova decisão indica que há dúvidas a serem sanadas quanto à dinâmica do assassinato.
A iniciativa da reconstituição veio após a defesa do acusado contestar a legalidade da confissão, afirmando que Maicol teria sido coagido pelas autoridades. Apesar disso, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo declarou que não há relação direta entre essa contestação e a nova linha adotada pela polícia.
Segundo o órgão, todas as etapas do processo, incluindo o interrogatório do suspeito, seguiram as normas estabelecidas no Código de Processo Penal. Maicol segue preso temporariamente, e o inquérito policial ainda está em andamento.
Outro ponto polêmico é a solicitação de uma perícia psiquiátrica no suspeito, que foi feita sem ordem judicial, conforme afirma a defesa. Os advogados alegam que a medida tem o objetivo de reforçar a validade de uma confissão obtida de forma irregular, uma vez que não houve acompanhamento jurídico no momento do depoimento.
Ainda não há decisão judicial sobre a realização do exame, tampouco confirmação se o procedimento chegou a ser executado. O crime chocou a comunidade local. A adolescente foi vista pela última vez ao deixar o trabalho em um shopping e embarcar em um ônibus para casa.
Seu corpo foi encontrado dias depois em uma área de mata, com sinais de violência e ferimentos por arma branca. Imagens de câmeras de segurança confirmaram que ela entrou no coletivo na noite do desaparecimento.
Segundo a polícia, Maicol teria cometido o assassinato após uma discussão, motivada por uma suposta ameaça de Vitória contar à esposa dele sobre um relacionamento anterior entre os dois.
Em seu depoimento, o suspeito disse ter agido sozinho, utilizando uma faca que costumava guardar no carro, e alegou ter enterrado a vítima posteriormente, embora o corpo tenha sido achado apenas parcialmente coberto.
Alguns elementos da investigação não coincidem com a versão de Maicol. O número de golpes descritos por ele difere dos ferimentos identificados no laudo pericial, e a forma como o corpo foi encontrado não condiz com o que foi narrado.
A ausência de sinais de violência sexual também contrasta com hipóteses levantadas inicialmente. Enquanto a investigação prossegue, familiares e amigos da vítima continuam buscando justiça e acreditam que o suspeito não tenha agido sozinho.
O caso levanta discussões sobre a validade de confissões feitas sem acompanhamento jurídico e a necessidade de cautela e transparência em processos criminais envolvendo adolescentes e crimes de grande repercussão